
O sol me roubou a bicicleta e a noite me roubou a vida


"O sol me roubou a bicicleta e a noite me roubou a vida" é o processo de pesquisa e laboratório de criação, com o apoio do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes, realizado pelo Teatro na Porta de Casa, grupo de artistas negros, multilinguagem, atuante principalmente na cidade de Fortaleza e oriundos do Curso de Licenciatura em Teatro da UFC.
A partir da crônica “Uma Noite Absurda” de Chico da Silva, integrante do grupo que transita pelas linguagens da filosofia, música e literatura, o grupo se propôs a estudar questões existencialistas sobre nossos limites e impotências diante das vicissitudes da vida, mais especificamente o pertencimento e a morte. A pesquisa usou elementos biográficos e da espiritualidade de terreiro para investigar a crônica.
O texto narra a experiência de um jovem negro que migra da cidade interiorana de Nova Russas à capital de Fortaleza. Em sua trajetória vivencia o não pertencimento e o racismo em um território estranho, até que tem que voltar a sua cidade natal devido a morte de um familiar, sua mãe.
Fotos: Eric Santos


Contamos também com a orientação de Lídia dos Anjos que esteve conosco em vários ensaios e em nossa abertura de processo.
Experimentações
O processo de pesquisa se iniciou já no fim de 2022 com encontros com com Sacerdote Ryan Alef, Pai de Santo de Umbanda. Partimos então para a experimentação teatral explorando o corpo através de Programas Performáticos, estudo do texto e perguntas motivadoras como: como o corpo preto lida com a morte?
"{...} Assim que ele desligou o telefone eu entendi o que era. Havia entendido que minha mãe tinha morrido. Não sabia o que sentir... não sentia nada. Apenas um vazio, um vazio tão grande que comecei a suar, mas não dava vontade chorar, apenas em investigar. Quis saber se era o que eu estava pensando, pois naquele momento tinha certeza que ela estava viva." Trecho da crônica Uma Noite Absurda de Chico da Silva.


Video: Ryan Alef - Trecho de um de nossos ensaios
Registro pessoal - Chico da Silva
"{...} o que me importava eram aquelas conversas sem sentido nenhum. Sem pé, sem cabeça. 'Sobre Deus ser preto ou não'... 'sobre lavar muito a mesma roupa e ela esgarçar.' 'Não comprar uma máquina porque só estraga a roupa.' Proseávamos para passar o tempo lavando roupa. Ela lavava e eu sentava na cadeira olhando-a lavar tudo aquilo. Às vezes ficava seguindo ela quando eu matutava em alguma questão sobre a vida que ela jogava. Aquela mulher era um poço de enigmas."
Ensaios do "O sol me roubou a bicicleta e a noite me roubou a vida"
Entrevista


Entrevistamos o Sacerdote Ryan Alef, Pai de Santo de Umbanda acerca da relação entre mortes e religião. Ryan Alef é Sacerdote da Casa de Encantaria e Cura Nossa Senhora das Dores, artista, escritor e comunicador social/virtual.
Participa e organiza uma comunidade tradicional, bem como é membro do Grupo Teatro na Porta de Casa e do Coletivo NGUNZO.
Atualmente desenvolve pesquisas em performance artística e terreiro
E sobre a história da Umbanda no Ceará.
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Primeira abertura de processo
O projeto teve sua primeira abertura de processo dia 11 de novembro no Quilombo José Napoleão, sede do Coletivo Ngunzo, dentro de nossa programação de inauguração.
Artes: Conceição Soares

































